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Saiam do armário! (editorial)


Gay Pride

Gay Pride

No filme “Milk” (Gus Van Sant, 2008), conta-se a história verídica de um ativista do movimento de afirmação homossexual nos Estados Unidos. Nessa película, vemos o senador Harvey Milk, interpretado por um inspirado Sean Penn, em toda a sua trajetória na luta pelos direitos civis, começando no âmbito local de São Francisco e adquirindo contornos nacionais, dentro do contexto democrático americano dos anos 70. Milk, assassinado covardemente em 1978, é considerado um dos maiores ícones do movimento gay. Milk contribuiu diretamente para a mudança de atitude social em relação aos homossexuais, que saíram dos guetos da clandestinidade para o reconhecimento e efetivação de seus direitos.

Em determinado ponto do roteiro, Harvey Milk conclui que a afirmação da identidade homossexual somente poderia avançar se todos os gays se assumissem como tal. Somente assim, aparecendo homossexuais nas famílias e empresas americanas que, finalmente, o preconceito será encarado de frente. Pessoas reais, queridas, mostram por si próprias que não há nenhuma anormalidade ou patologia envolvidas na sua opção sexual. Em suma, os coloridos devem “sair do armário“, uma atitude ética e micropolítica que ajuda à classe, fortalecendo a causa conjunta. Se num primeiro momento ocorre um estranhamento, uma hora ou outra, pela quantidade e abrangência da manifestação, a sociedade acaba por aceitá-los e acolhê-los, entendendo a sua real situação, a fim de contornar séculos de desrespeitos e violências.

Na semana passada, durante um chat no MSN que compartilhei com dois micronacionalistas italianos, Matteo e Reinhardt, este último embaixador de St.Charlie em Pasárgada, e mais um montenegrino, o Predrag (Apiya), comentamos da necessidade de um movimento similar, um movimento ‘Micronational Pride” ou de Orgulho Micronacional. O fato é que há uma porção de micronacionalistas que simplesmente têm vergonha ou receio de assumir a própria condição como micronacionalista. Preferem desconversar quando confrontados com os “gentios“. Não se sentem confortáveis em ver os nomes em sítios ou wikis. E ainda disfarçam, quando interpelados, meio sem graça, afirmando que é “apenas” um hobby “inocente“, um passatempo sem importância que eles se dão ao luxo de participar, mas que nada tem a ver com a “vida real“. Há ainda os paranóicos que acreditam que a condição de micronacionalista irá atrapalhá-los na vida profissional, nos seus carreirismos recônditos, nas suas vaidades perante amigos e amantes.

Nada mais anti-micronacional!

Já é repetitiva a reclamação de que o micronacionalismo tem dificuldades de angariar mais neófitos, de sustentar-se como atividade social e cultural, em obter fluxos estáveis imigratórios. A culpa, em parte, é dos próprios micronacionalistas. Pois o maior marketing que o mundico pode oferecer somos nós mesmos. O dia em que não tivermos mais pudor em afirmar-nos micronacionalistas, em fazer uma publicidade ostensiva, sistemática, do micronacionalismo, ele irá fortalecer-se sobremaneira.

Basta pensar no potencial do movimento micronacional. Quantos aí fora engajar-se-iam, de imediato, na prática micronacional, se ao menos soubessem que ela existe? Pensemos só no mundo lusófono: 20.000? 50.000? Cem mil? Quantos de nós não lamentamos não ter descoberto antes o mundo micronacional? Afinal, boa parte nascemos micronacionalistas, mas só depois o destino concede-nos a chance de aderir efetivamente.

Na Lusofonia, a única micronação que sistematicamente fomenta o Orgulho Micronacional é a Comunidade Livre de Pasárgada, especialmente após a revolução cultural insuperável que foi a Virada Pasárgada (2001-02). Primeiramente, foi uma micronação que aboliu os pseudônimos e aquela atitude de desengajamento, isto é, fingir a vida micronacional como uma esfera separada da “vida real“. Quem primeiro quebrou essa barreira boba, de modo contundente e como política, foram os pasárgados. Basta olhar aí fora e vamos ver vários micronacionalistas antigos, de outras micronações, que se escondem (literalmente) atrás de pseudônimos, num sentimento de covardia e fraqueza em assumir-se plenamente micronacionalista.

Orgulho de ser micronacionalista!

Orgulho de ser micronacionalista!

Essa prática medrosa é primitiva e já ultrapassada pelas novas gerações, que por assim dizer já nasceram no mundo digital (quem nasceu de 1990 pra cá) e compreendem o grau de realidade (total) implicado na Internet e nas relações humanas mediadas pelo ambiente virtual. O romano Reinhardt, de St.Charlie, tem 17 anos e diz que fala pra todo mundo de sua micronação, de suas atividades no mundico. O australiano Jason Mckerra, de Lavalon, tem 26 anos e anda na carteira com uma ID e um passaporte de sua República. “Pode gerar a curiosidade aqui e ali, e de repente achar um micronacionalista que ainda não se descobriu“, conta-nos. Eu mesmo, ao preencher currículos, escrevo sem meias-palavras: “Atividade Social/Cultural: Comunidade Livre de Pasárgada” e taco o endereço do sítio oficial ao lado.

É preciso que saiamos do armário. Afirmar claramente, pra todos à nossa volta, que somos, com orgulho, micronacionalistas. Afinal, isto aqui não é nada vergonhoso. Pelo contrário! é uma aventura intelectual e cultural de proporções fantásticas, com acontecimentos vibrantes, inteligentes, gratificantes e pessoalmente enriquecedores em múltiplos níveis. Façamos como os vanguardistas pasárgados, como os ativistas gays dos anos 70, assumamos o nosso nome, a nossa vida, sem pudor besta.

Sejamos fiéis a nós mesmos, para o bem do movimento.

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O tempo mítico e a visionária Comunidade Pasárgada


PAS CMWTH

PAS CMWTH

Na terça-feira passada, dia 18, cinco estadistas deram sonoras pancadas na modorra do movimento micronacional, com a Comunidade Pasárgada de Nações (CPN) – Pasargadan Commonwealth.

Existem micronacionalistas que vivem em um tempo meramente histórico. A atividade, para eles, não passa de uma sucessão de momentos mais ou menos isolados, conectados por uma vazia linearidade temporal. Assim, vivenciam a existência da micronação e deles mesmos como uma fotografia — um instantâneo capturado do fluxo de mensagens e números. Claro, com essa forma de vivenciar, eles são tomados amiúde por uma ansiedade beirando o pânico, quando, de repente, zás, se aplaca na micronação a falta de mensagens e de números.

Klee - Angel

Paul Klee - "Angel"

A memória circunscreve-se à percepção de um momento ativo ou inativo. Lutam, portanto, contra um vento cósmico que lhes cruza o micronacionalismo, varrendo-os continuamente da história. Como uma invasão de tártaros destroçando com as suas hordas a civilização frágil do tempo. O anjo de Klee aterrorizado diante das ruínas do passado acumulando-se até o céu, enquanto um furacão o repele violentamente, de costas, para o futuro.

No oposto do tempo linear e superficial, subsiste o tempo mítico do micronacional. Somente a experiência e o desprendimento por viver do outro lado do hábito produzem as condições para a atividade e força profundas que, com virtude, movem o mundico. Ao galgar a compreensão mítica, acontecimentos fotográficos minimizam em relevância, os fatos efêmeros esfumaçam-se e a suave tranqüilidade acomete o micronacionalista diante de crises, desistências e inatividades. Uma micronação por assim dizer construída em seus mitos é dotada de uma espinha inquebrantável, imunizada à ossada diante dessas mazelas passageiras e históricas.

O engenheiro de micronações é sobretudo um fomentador de mitos — no sentido metafísico e não epistemológico. O criador de mitos no seu sentido absoluto é o profeta. O criador de mitos na metáfora dos fatos é o poeta. Em segunda ordem, os bardos, os rapsodistas, os humoristas. Quem anuncia os mitos que precisamos, enfim, são os visionários.

É um erro postular etapas históricas. Toda a história da Lusofonia e do movimento existem paralelamente e no mesmo instante. Qual? Este, agora. Neste sentido, o lançamento do chandon no e-groups, o cisma da velha PC, o Prêmio Aruaque, a Virada Pasárgada, a Comunidade Lusófona, as 200 edições do Tribuna Popular, os 600 novatos de Reunião, todos os multitudinários eventos dos 13 anos de micronacionalismo lusófono na Internet, tudo isso coincide ao mesmo tempo com o que vivemos. É de uma vertigem melancólica, e depois a calma para agir com a serenidade de quem viveu e compreendeu o motor do micronacionalismo.

Paul Klee - Visionary

Paul Klee - "Visionary"

Esse tempo mítico, alcançado pelos que desvelam a verdade oculta (e esquecida) do micronacionalismo, tornando-se visionários, foi apreendido e desenvolvido pelos que se recusam a apoiar-se na circunstância, a vender argumentos rasos, a fiar-se no abstrato de valores importados, a fechar-se em seu eu-querido vaidoso para quem toda a história pós-si-mesmo resume-se a uma meta-narrativa da decadência da antiga civilização. O que não significa que os visionários optem por ser anacrônicos. De fato, é o próprio tempo micronacional que mostra o seu avesso, e por onde transitam aqueles que não sucumbem à linearidade vazia da história.

Chove e troveja e as micronações, como bambuzais, se contorcem ante as lufadas inclementes do futuro. É desse outro tempo, à margem da superfície da atividade quotidiana, onde se escreve a obra da “Commonwealth“, de PAS e RE, de um “micronacionalismo lato sensu”, enfim, de uma vivência total do nosso brilhante pequeno formidável mundo.

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Entrevista com Rafael Cruz


pascine

Nesta semana, o Jornal Tribuna Popular entrevistou um dos mais produtivos micronacionalistas pasárgados. Rafael Cruz, atual ministro da cultura e da educação, cidadão da Comunidade desde 2005, o seu nome sempre esteve associado a iniciativas culturais, tais como as primeiras rádios pasárgada e cenitense. Político que opera pelas margens da “política dura”, participou de vários governos dentro de uma visão global de micronação que aposta no desenvolvimento cultural como seu mais duradouro alicerce.

TRIBUNA POPULAR: Boa tarde, Rafael. Obrigado por conceder esta entrevista ao Tribuna. Você é o atual ministro da cultura de Pasárgada. Em que consiste essa função?

RAFAEL CRUZ: Boa tarde, Bruno. É uma honra ser entrevistado por este conceituado jornal. Esta é a minha primeira entrevista ao tribuna e confesso que estou emocionado. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) tem como objetivo alavancar as atividades educacionais e culturais de Pasárgada. A minha função nesta gestão é organizar um grupo de colaboradores e juntos tocarmos diversos projetos que planejamos para o governo do Primeiro-Ministro José Borrás. Alguns, inclusive, já estão saindo do papel.

TRIBUNA POPULAR: O PasCinema foi lançado nesta semana. Até que ponto é possível pensarmos em um cinema micronacional ou “micronacionalizado”?

RAFAEL CRUZ: O PasCinema é um projeto pioneiro em Pasárgada e, se não estou enganado, em todo o micronacionalismo. A ideia central é exibir filmes que serão trocados todo mês por outros títulos. A exibição é online. A pessoa acessa o site do PasCinema, verifica os filmes que estão em cartaz e clica no botão pra assistir. A exibição é na hora. Não tem que baixar nada. Tudo online. Ao final do filme a pessoa ainda pode deixar a sua opinião sobre o que acabou de assistir. A partir do momento que criamos um canal de exibição de filmes, fomentamos a ideia de uma produção local. Neste sentido, o MEC irá trabalhar para que pasárgados tenham plenas condições de realizarem os seus filmes. Seriam os primeiros filmes  micronacionais, haja vista que ele seria concebido e exibido neste meio. Acredito que os primeiros filmes tenham forte influência da temática macronacional, mas com a evolução deste pensamento cinematográfico em Pasárgada, em conjunto com as orientações do MEC, vejo que podemos pensar na produção de filmes sob temática micronacional e daí teríamos a primeira escola cinematográfica genuinamente micronacional. Ideia ambiciosa, porém não fantasiosa.

TRIBUNA POPULAR: A República de St.Charlie, uma micronação formada por italianos e ingleses, mantém uma televisão estatal, usando mídias da web 2.0. Você acha viável a implantação disso em PAS?

RAFAEL CRUZ: Gostaria de saber mais sobre esta televisão antes de emitir uma opinião oficial, mas a princípio não me parece ser uma ideia impossível Para pasárgada. Hoje a internet (neste ambiente 2.0) nos oferece muitas ferramentas poderosas e gratuitas, ou com baixo custo, o que fornece as condições par aum planejamento sério de implantação deste tipo de iniciativa. Resta-nos saber de onde vem a produção desta TV. Em nosso caso, acredito que demos um importante passo com a criação do PasCinema, pois agora Pasárgada está voltada para as possibilidades da realização audiovisual e vamos mostrar que é perfeitamente possível que a produção deste tipo de midia aconteça. E isso pode nos levar, naturalmente, à produções de programas, shows e outras categorias de produção webtelevisiva.  Daí teremos a nossa TV em Pasárgada.  É questão de tempo e adaptação dos cidadãos pasárgados à nova possiblidade que o MEC está colocando em evidencia neste momento para que estas coisas aconteçam.

TRIBUNA POPULAR: Rafael, muitas micronações lusófonas têm uma ênfase muito grande na política, especialmente partidária, como Reunião. Mas PAS sempre se diferenciou por ser uma micronação original, não-modelista, que inventou a sua cultura de modo inteiramente autêntico. Qual a importância da cultura na construção de uma micronação?

RAFAEL CRUZ: A cultura é a responsável pelo sucesso ou fracasso de uma micronação. Digo isso porque uma nação com uma cultura cambaleante, sem propósito, não-original etc não atrai o interesse de novos cidadãos e desmotiva os que lá já se encontram. Neste sentido, é certo que essa nação não se sustentará por muito tempo. E sabemos que o tempo micronacional é bastante diferente do tempo macronacional. Por isso é importante que todo governo sério dê condições para que o MEC se desenvolva em sua plenitude. Que acredite do ministro e toda a sua equipe e que participe ativamente dos projetos lançados pelo MEC. De nada adianta ideias sem participação popular. E em matéria de apoio, o nosso governo, sob a figura de Borrás, Silvia e do super eficaz ministro Daniel Bojczuk, estão de parabéns.

TRIBUNA POPULAR: Pode dar alguns exemplos como a cultura ajudou a construir Pasárgada como micronação de primeira grandeza?

RAFAEL CRUZ: Podemos falar da tradicional imprensa pasárgada. Não é tradicional à toa. Históricamente sempre produzimos excelentes periódicos, que ficaram conhecidos em toda a lusofonia por sua credibilidade, assiduidade e de excelente conteúdo. O Tribuna Popular é nosso maior exemplo. O cantão de Cenit, que é o único cantão pasárgado que desde a sua fundação é bilingue. isso abre novos horizontes para a comunicação e conhecimento desses cidadãos.  A presença de grandes pensadores, que discutem os conceitos do micronacionalismo a todo instante nesta história pasárgada, o que leva a uma constante reflexão sobre a nossa condição como cidadão. As atividades regionais como a Corrida de Chocobos, as rádios, as equipes de futebol… Tudo isso reforça a nossa identidade e eleva a imagem de pasárgada para um patamar cada vez mais inalcançável pelas demais nações da lusofonia.

TRIBUNA POPULAR: Qual a diferença da cultura numa micronação eminentemente realista, como Pasárgada, e noutra modelista, exemplo: Reunião?

RAFAEL CRUZ: A diferença básica e simples, no meu entendimento, é que numa nação realista a cultura é muito mais autêntica, atuante e desafiadora (exatamente por de tratar de algo original), do que numa nação modelista, onde os conceitos já são conhecidos e apenas replicados. Sem querer fazer julgamento do que é melhor ou pior para uma nação, mas a diferença entre esses dois “modelos de micronação” é evidente.

TRIBUNA POPULAR: A título de antecipação, o que os pasárgados podem esperar nos próximos meses para a cultura micronacional?

Retrato de Cruz

Rafael Cruz, MEC PAS

RAFAEL CRUZ: Muita atividade. Porém faço um apelo para que todos conheçam os projetos do MEC e que de alguma forma participe deles. temos atividades diversificadas, justamente para atender a maior parte das preferências da sociedade. Então certamente algo irá interessar para vocês. Já lançamos a Editora Nacional e o PasCinema. Em breve estarão sendo lançados o primeiro livro comunitário de Pasárgada, novas rádios, cursos na UniCM e outras atividades vinculadas a estes projetos. Não podemos esquecer da inciativa brilhante de Bruno Cava de estruturar as Wikis micronacionais, em diversos idiomas, para que a nossa nação possa ser conhecida, entendida e jamais esquecida. O MEC realmente está atento aos trabalhos de Cava e muito feliz com a evolução dos seus trabalhos.

TRIBUNA POPULAR: Obrigado, mas me diga, que editora é essa? Quem está trabalhando e qual o projeto?

RAFAEL CRUZ: A Editora está sendo capitaneada pela simpática e comprometida Andreza Aparecida Streitenberger. Inicialmente nosso foco está em centralizar o registro de todas as obras literárias de Pasárgada num único lugar e usá-lo pra promovê-las, assim como para incentivar a produção de novas obras micronacionais através de orientações da própria editora. Em paralelo a isso, está sendo levantada a hipótese de se criar um novo braço na editora. Um braço de serviços, onde ela funcionaria também para trabalhos de revisão, editoração etc. Isso numa possível parceria com o banco EcoTrocas e profissionais do ramo. Mas as discussões estão no início ainda.

TRIBUNA POPULAR: Ministro, muito obrigado pela contribuição. Tenho a convicção de que o segundo semestre será consagrado a uma atividade mais produtiva no campo da cultura. Mais do que eventos, é de uma política cultural permanente que Pasárgada precisa. Abro para as suas considerações finais.

RAFAEL CRUZ: Eu é agradeço pela

oportunidadede falar sobre os projetos culturais que planejamos para Pasárgada. A ideia é justamente essa: Projetos de longo prazo. Quando fiz o planejamento, tomei este cuidado de pensar numa estrutura que se estenda após a minha saída do cargo de ministro. Pra finalizar, gostaria de agradecer algumas pessoas que tem me ajudado a pensar nos caminhos a trilhar nesta jornada: Primeiro-Ministro José Borrás, por sua seriedade, compromisso e sentatez com Pasárgada e seus cidadãos. Tem me orientado bastante.  Yuri Ghenov, pelas suas orientações. Sempre bastante diplomático e respeitoso. Ministro da Infra-Estrutura Daniel Bojczuk, por sua sempre solicitude e eficácia nos pedidos do MEC.  À Coordenadora Andreza, pela sua simpatia e paciência comigo. Sempre muito competente e comprometida. Secretário-geral Anderson Paiva, pela sua experiência, ótimas ideias e intensa participação em projetos culturais. Senescal de Cenit Fábio Rascoski pela experiênca e sempre boa vontade nos tratos com o MEC. Reitor McMillian Hunt, que pra mim é um sujeito único, dotado de sabedoria, inteligência e um inestimável conhecimento cultural. Suas trocas de ideias com o MEC são essenciais para o meu crescimento como cidadão micronacional. Orador Bruno Cava, que cada vez se mostra ser o melhor orador de Cenit de todos os tempos. Suas contribuições ao MEC são incontáveis e de inestimável valor.

Realizada por MSN das 13 às 14:15 de sábado, 8 de agosto de 2009. Publicada na íntegra.

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SDP: o futuro de Pasárgada?


200px-PasturnA Virada Pasárgada foi uma ruptura paradigmática realizada pela Comunidade Livre de Pasárgada, de agosto de 2001 em diante, no modelo tradicional do setor lusófono. Esse movimento de vanguarda aconteceu em múltiplos campos simultaneamente: micropatriologia, política, diplomacia, construção de sites, valores estéticos e na ética individual.

O começo do século XXI é descrito no micronacionalismo como um momento excepcionalmente fértil e convulsivo. A proliferação de diferentes e inovadoras propostas impactou as escolas românticas de velhos caciques. Muitos micronacionalistas desse tempo de ebulição compartilharam uma atitude de confrontamento com os cânones e, ao mesmo tempo, cada qual buscava viabilizar-se como a nova norma para o século.

O anseio por renovação finalmente abraçou um novo e tenaz projeto, a Comunidade Livre de Pasárgada que, fundada por oito veteranos de Reunião em poucos meses tornou-se o Bicho-Papão da Lusofonia — e além, reunindo 30, 40 e até 50 cidadãos ativos com dois anos de vida. A subversão revolucionou profundamente as visões micronacionais deste setor: sem factóides, sem referências macroterritoriais, sem personagens fictícios, nenhuma atitude de escapismo, de desengajamento existencial. A micronação doravante considerada a vida real às últimas conseqüências: um ambiente concreto de interação humana, parte indissociável da biografia de cada micronacionalista e orientado venturosamente a novas formas de soberania global, contracultura digital e expressão livre dos desejos sociais.

Foi o nascimento do realismo radical. Só é possível compreender plenamente o significado monumental da Virada Pasárgada se compararmos as micronações antes e depois de sua aparição avassaladora.

A Casa Coração Pasárgado (CorPas), surgida no limiar dessa época de convulsões, incorporou gradualmente os valores do realismo como valores magnos pasárgados, tornando-se a maior vitrine para a sua expansão ideológica e política. Durante muitos anos, nenhuma Casa estruturou-se em termos de plataforma político-ideológica como a CorPas. A Casa Mundo Pasárgado (CMP), a sua maior rival durante dois anos, desempenhou mais a função de contenção dos arroubos da CorPas do que, propriamente, um ideário alternativo de igual dimensão. Sua lógica era na verdade dialética, uma anti-CorPas, e não de afirmação do diferente.

As outras duas Casas de destaque histórico, Aliança Federalista (AFP) e Livre de Pasárgada (CLiP), foram fundamentais para alimentar a atividade nacional e manter viva a chama pasárgada. Porém, nenhuma das duas chegou próximo de formular uma proposta global para o micronacionalismo, ficando aquém inclusive da CMP no campo ideológico. Embora as demais tenham sido inegavelmente indispensáveis para a micronação, somente a CorPas constituiu-se como força histórica de expressão clara e sistemática da cultura pasárgada e lusófona.

Com o esfacelamento da AFP, no primeiro semestre de 2009, em virtude de disputas intestinas e da ausência de cimento ideológico, a CorPas novamente desempenhou a sua vocação ao assumir o volante da Comunidade. O Governo CorPas de José Luiz Borrás, secundado por um time dos sonhos de micronacionalistas, foi a resposta sonora da maior agremiação da micronação ao vazio político legado pela agonia da AFP.

É neste cenário que sete micronacionalistas pasárgados inauguram a décima Casa da Comunidade Livre de Pasárgada, terceira em atividade (além da CorPas e das “sobras” da AFP). Batizada Social Democracia Pasárgada (SDP), a Casa é liderada pelo ex-AFP Renan Halphen, arauto emblemático da Escola Pasárgada de Micronacionalismo. Mas conta também com a experiência comprovada e presença de espírito do atual Chanceler André Cyranka, do co-fundador e veterano Vítor de Bourg, da ecumênica slokíssima Juliana Benedetti e do Bardo Comunitário Fábio Racoski (editor do DOC).

Lançando página em Wordpress de dar inveja a qualquer micronação, a SDP teve um início comparável ao lançamento da CorPas em agosto de 2001. Em seu manifesto, a Casa diagnostica que o mundo micronacional encontra-se estagnado na década de 90. Que as micronações não souberam absorver a web 2.0. Que tampouco demonstram consciência de sua vitalidade e singularidade como experiência da vida de cada um e da vida coletiva do movimento, articulado que é ao micronacionalismo global.

Com efeito, a SDP pretende-se uma Casa sintonizada às novas gerações de internautas que, exatamente, constituem as novas safras de micronacionalistas. Com pertinência, aponta que sempre os mesmos dinossauros continuam pontuando a prática micronacional, com o mais do mesmo em termos de modelos e paradigmas, engessados do passado. E isto está matando o mundico.

De fato, a Lusofonia constituiu-se ao redor do modelismo de Reunião e Porto Claro e depois contou com a ruptura vibrante de Pasárgada, a tríade de projetos basilares que definem o nosso setor. Todavia, de 2001 para cá, a história do micronacionalismo lusófono tem sido a consolidação do modelo pasárgado em convívio estreito com elementos modelistas mais antigos, bastante arraigados em todos os cantos. Não houve inovações significativas, hoje tão necessárias para articular os desejos micronacionais com os desejos da sociedade contemporânea sempre em mutação.

Mais do que mera oposição partidária, a Social Democracia Pasárgada surge como movimento coerente de idéias e ações. Desde o princípio, apresenta-se claramente com um manifesto contextualizado às necessidades históricas do micronacionalismo. Pasárgada, como liderança histórica do mundico, só tem a ganhar com o frescor e o enriquecimento políticos trazidos por essa audaciosa agremiação.

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