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Entrevista com Rodrigo Mariano


Rodrigo Mariano, diarca de Esparta, estadista diretamente envolvido na fundação da Comunidade Pasárgada de Nações, veterano da Lusofonia, vem demonstrando uma maturidade ímpar graças a um crescente aprendizado na arte micronacional, qualificando-se como um dos mais comedidos e sábios líderes de todos os tempos deste setor lingüístico. Brinda-nos com uma entrevista sobre suas percepções acerca da política interna e externa de PAS e também comenta o burburinho ao redor de sua possível candidatura a Chanceler, daqui a dois meses.

TRIBUNA POPULAR: Rodrigo, é um prazer entrevistá-lo pela primeira vez pelo jornal. Mariano, conte aos leitores um pouco sobre a experiência de Esparta, que completou o seu primeiro aniversário este mês.

RODRIGO MARIANO: Esparta foi fundada há um ano, como resultado prático de um projeto mais antigo. Comecei a colocar as idéias no papel quando ainda era cidadão do Sacro Império de Reunião. Por lá, fui Vice-Rei de Mauritius por 4 anos.Em dado momento, a força do nacionalismo mauritano era muito grande e a relação com o império se deteriorou. Parte dos mauritanos foram expulsos ou se afastaram depois de pesadas acusações de traição. Esparta já estava plenamente concebida e deixei o império para fundar a polis.

De lá para cá, construímos Esparta como sempre achei que deveria ser: Nada foi outorgado por mim ou por qualquer outra pessoa. À medida que iam aparecendo as demandas, nasciam os poderes, costumes e leis. Cada detalhe era decidido através de voto direto de todos os envolvidos. Assim, Esparta passou por sua fase tribal e evoluiu até o que somos hoje: uma nação consciente do seu lugar relevante no cenário micronacional.

TRIBUNA POPULAR: O que significa o “casamento” entre o projeto pasárgado e o projeto esparciata de micronacionalismo? E qual a contribuição de Esparta ao movimento micronacional?

RODRIGO MARIANO: Durante a fase final de concepção do projeto Esparta, eu estava em Pasárgada. Precisava ver de perto como funcionava uma verdadeira democracia micronacional, e não havia melhor campo de estudos que a Comunidade Livre. Quando começaram as negociações entre Esparta e Pasárgada, vi a fusão dos projetos como parte de um caminho natural a ser seguido pela polis em sua evolução.

Os que tentaram me dissuadir da assinatura do Pacto de Atena definitivamente não enxergavam – talvez ainda não consigam enxergar – o que é Pasárgada de fato. Em Esparta, costumo dizer que a palavra “anexação” não serve para definir a entrada da polis na Comunidade Livre.

Tradicionalmente, anexações significam a perda de qualquer controle por parte da nação sobre seus bens, sua cultura, suas leis, seus direitos. Anexações micronacionais se resumem à soma de mais um território e à entrada de diversos novos cidadãos de uma só vez, aumentando a mão de obra no Estado que “engole” o outro.

Esparta não foi anexada. Esparta continua com a propriedade de suas listas e sites, nossas especificidades culturais não só são respeitadas, como também incentivadas. A experiência política e social dos esparciatas aumentou em quantidade e qualidade. Em alguns dias, com a aprovação do Ato de Instituição da Comunidade Pasárgada das Nações, Esparta voltará ao cenário da política externa e das relações diplomáticas.

TRIBUNA POPULAR: Na semana passada, foi anunciado por cinco estadistas da Lusofonia, entre eles você, o lançamento da Comunidade Pasárgada de Nações. Por que você aderiu à iniciativa e o que ela representa?

RODRIGO MARIANO: Embora Pasárgada tenha nascido depois de outras micronações, chega à maturidade antes das demais. A CPN é o reflexo dessa maturidade. A iniciativa inaugura oficialmente um tempo de nacionalidades livres reunidas sob a regulação de um Estado. Um tempo de micronacionalistas que optam por lidar de forma ativa com a realidade trazida pelo pós-modernismo, enquanto a lusofonia segue ignorando os novos paradigmas de propriedade na era das trocas digitais, de pertencimento na era de um mundo conectado. Pasárgada escolhe deixar para trás o lugar daqueles que sofrem os efeitos das mudanças. Pasárgada dá um passo à frente e age ativamente ao invés de se acomodar em apenas reagir.

Para Esparta, as mudanças trazidas pela CPN são um marco histórico. Retornamos ao cenário internacional, atuando diretamente nos rumos da lusofonia, fazendo ouvir a nossa voz e levando a experiência micronacional espartana para além das fronteiras pasárgadas.

TRIBUNA POPULAR: Existem críticas de alguns pasárgados, amplificadas por um jornal estrangeiro, o Lusophonia, de que a nova “Commonwealth” é expressão do imperalismo pasárgado. A acusação é similar ao que ocorreu no passado, com a Comunidade Lusófona, que associou Pasárgada, Mallorca e Avalon. Você, como líder de nação que participa dela, não se sente atingido, como se as nações tivessem “sucumbido” a uma força invasora?

RODRIGO MARIANO: Não me sinto atingido. Ainda não encontrei nenhum argumento que me convencesse de que estamos construindo um “imperialismo pasárgado”. Até o momento, todas as ações e adesões da CPN foram legais e visavam apenas o estabelecimento de um micronacionalismo ativo, maturo e sem medo do futuro. Estou, no entanto, aberto ao diálogo. Se for do interesse de alguém me convencer de que a iniciativa é danosa ao micronacionalismo pasárgado, estou à disposição. Todas as minhas manifestações públicas a favor da nova Comonwealth pasárgada foram para tentar esclarecer a questão para os que não a entendem e, justamente por isso, se opõem a ela.

TRIBUNA POPULAR: O assunto mais polêmico da política externa pasárgada é sem dúvida a nova Porto Claro, seja a face de influência modelista-reuniã, Porto Claro Ocidental, seja o projeto realista-pasárgado, Porto Claro Oriental. Cá entre nós, o que materialmente, em termos efetivos, podem fazer os que se opõem, como, notoriamente, você?

RODRIGO MARIANO: Todo pasárgado que se opõe a seja lá o que for pode e deve lutar. Como cada um exerce sua cidadania é uma escolha pessoal. Não faço parte de nenhum grupo organizado com o objetivo de impedir o envolvimento direto de Pasárgada com o que acredito ser a apropriação criminosa da cultura e história de outra nação, mas a formação de tais grupos é uma das várias possíveis formas de lutar. Outra, mais óbvia em um Estado democrático, é a candidatura ao Parlamento ou à Chancelaria, uma vez que são esses os palcos centrais nessa questão e nas decisões que ditam os rumos de Pasárgada.

Há aqueles que ocupam um patamar não oficial, mas extremamente poderoso, de formadores de opinião. No micronacionalismo, esse poder – que, macronacionalmente, em âmbito nacional, costuma ser da imprensa – é de alguns líderes carismáticos nos quais as pessoas confiam e cujas opiniões são profundamente importantes. Esses só precisam abrir algumas janelas de MSN para que qualquer iniciativa, ética ou não, tenham mais ou menos chance de prosperar.

Fato é que, pessoalmente, quando algo me incomoda muito – e atos que passam por cima dos mais basais valores éticos são um exemplo disso –, não costumo pensar apenas nos resultados práticos, nos termos efetivos. A batalha por si só já é uma vitória apenas por ser lutada. Tenho certeza que o rei Leônidas de Esparta não pensou no que efetivamente a oposição de 300 homens poderia fazer contra um exército de milhares. Ele não deixou de lutar por causa disso.

TRIBUNA POPULAR: Qual a sua avaliação geral do Chanceler André Cyranka? Este jornal soube de algumas opiniões isoladas de que estaria se formando um grupo pró-Mariano para o próximo pleito a chefe de estado, que ocorrerá em fim de outubro.

Cyanka é um homem extremamente competente. Divergir de sua postura em relação à pseudo Porto Claro não me cega em relação ao trabalho que vem realizando na Chancelaria Comunitária.

Nesse momento, não é minha pretensão concorrer ao cargo de Chanceler ou a qualquer outro cago em âmbito comunitário. Sigo dedicando 100% do meu tempo para o Trono de Esparta. A existência de um grupo pró-Mariano para o pleito é ao mesmo tempo uma surpresa e uma satisfação. Fico lisonjeado por saber que há quem enxergue em mim o conjunto de virtudes necessárias para ocupar cargo tão relevante, mesmo estando em Pasárgada há tão pouco tempo.

TRIBUNA POPULAR: Agradeço o tempo despendido e a atenção, abrindo para comentários finais. Muito obrigado.

RODRIGO MARIANO: Agradeço a oportunidade de me fazer ouvir e levar um pouco de Esparta na minha fala para toda Pasárgada e onde mais o Tribuna chegar. Gostaria de colocar à disposição os meus contatos para que aqueles que desejarem conversar sobre a entrevista, ou sobre qualquer outro assunto, possam chegar diretamente até mim. Meu MSN é guinhomariano@hotmail.com e meu email pessoal é ro.mariano@gmail.com. Em uma nação de muitas nações, por um micronacionalismo ético e maturo, saudações espartanas a todos.

Realizada via e-mail em 22 de agosto de 2009.

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Um ano de Esparta


esparta

Em 6 de agosto de 2008, Rodrigo Mariano, Henrique “Falange” Diógenes e Bianka deram início a mais um projeto micronacional na Lusofonia. Foi anunciada a Diarquia Democrática de Esparta. Em um primeiro momento, era plausível acreditar que se trata de _ainda_ mais uma tentativa de emplacar uma micronação. Em um cenário de dispersão das energias e esfriamento geral do movimento micronacional, por várias razões, a maioria poderia acreditar que, inevitavelmente, Esparta estaria fadada ao (usual) fracasso. O obituário micronacional é vasto.

Brasão Oficial

Brasão Oficial

Nada mais distante da realidade. Esparta atravessou o teste do primeiro ano (o primeiro de muitos). A proposta inicial, modelista, trata-se de incorporar os valores da antiga pólis de Esparta, da Antigüidade Helênica, sob um prisma da defesa da democracia e da virtude combativa. Embalado pelo sucesso do thriller “300″, o projeto adotou a inovação do Ning e afiliou-se ao Socioculturalismo protagonizado pelos micropatriólogos Carlos Goes e Filipe Sales.

O lance de mestre do rei Rodrigo Mariano foi a adesão à Comunidade Livre de Pasárgada, reunindo energias e filiando-se a uma proposta tradicional e de primeira grandeza do movimento micronacional. Acolhida como quinto cantão, ao lado de Cenit, Sloborskaia, Icária e Efaté, Esparta desenvolveu-se de modo estável, ainda que paulatino.

Estruturada, Esparta conseguiu atrair micronacionalistas de qualidade, como Douglas Silva, o veterano Daniel Bojczuk, a carismática (e sobretudo bela) Kehsia Lorhana, o jornalista Leonardo Gomes e o próprio Sales, que se uniu ao empreendimento este ano.

Votante na OML

Votante na OML

A integração foi absoluta. Bojczuk e Falange são dirigentes da Coração Pasárgado, Oradores e membros eminentes do Governo “Pulsando por Pasárgada” / José Luiz Borrás. Kehsia é a porta-voz comunitária. Gomes ficou famoso por sua atualização diligente da Agência Espartana de Notícias, a AGESNO (também em WordPress!)— que o Tribuna Popular promove e recomenda.

Membro do ITM

Membro do ITM

A micronação uniu-se ao Principado de Efaté para fundar o Instituto de Tradições Monárquicas. Ademais, reafirmando o caráter também monárquico da Comunidade Livre, a Diarquia foi admitida, novamente de braços dados com Efaté, junto à Organização das Micromonarquias Lusófonas (OML), como pleno membro votante.

Por fim, no primeiro aniversário, o Rei Mariano anunciou o novíssimo visual do site oficial da Diarquia, com seus típicos templos e ordens militares. Um trabalho de qualidade, esteticamente apurado, de fazer inveja a muitos projetos do mundico. Para fechar com chave de ouro, “Sparta” também ganhou a sua própria página nas wikis anglófona (MicroWiki) e européia (MNeu), com direito a aparecer na ‘List of Micronations‘.

Fica o mistério: e o segundo rei (ou rainha), quem será?

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