O micronacionalista que chegar à Lusofonia agora não acreditaria que, há apenas um ano, vivíamos nas sombras e ruínas. Muito diferente daquela época trevosa, atualmente conta-se mais de cem micronacionalistas lusófonos em atividade; distribuídos em instituições, culturas e infraestruturas, que se reestruturam a olhos vistos. Duas micronações se podem claramente identificar como potências, em matéria de desenvolvimento e população: Pasárgada e Reunião.
As duas, juntas, respondem por três quartos (3/4) da Lusofonia.
O segundo semestre de 2008 teve em Pasárgada o começo de um movimento entusiasmado que iria, meses depois, contaminar Reunião e o restante de nosso setor. Os governos de Felipe Aron, de junho de 2008 a abril de 2009, produziram um enorme salto quantitativo, em razão de um trabalho sistemático e industrioso de mobilização da Comunidade Livre — cuja massa latente é a segunda da Lusofonia.
O segredo do sucesso deveu-se à campanha missionária do Ministério de Estado, comandado por André Cyranka, aliado a um zelo extraordinário pela infraestrutura (Renan Halphen) e pela alimentação de um sistema político maduro e funcional (contribuições dos socioculturalistas Filipe Sales e Carlos Goes). A partir da Coração Pasárgado, a Casa mais tradicional e vibrante da Comunidade, um núcleo de pasargadistas reconstruiu dos escombros uma micronação novamente preparada para enfrentar a crise permanente do micronacionalismo.
Outra chave do sucesso foi a ativação integral do emblemático sistema pasárgado de democracia, que extrai da dupla dimensão das Casas e dos Cantões a sua singularidade e beleza.
Em 2008, o Cantão de Cenit renasceu num movimento vigoroso intitulado “Revolução Aristocrática“, cuja maior marca é a célebre “Semana Cenitense“, com participações decisivas de enxadrista Rafael Cruz, do poeta peruano Mauricio Villacrez, do Bardo de Pasárgada Fábio Racoski, de Miguel Sobrinho e do incansável Anderson Paiva.
A República Socialista de Sloborskaia, em manobra de estadista, reincorporou-se ao seio de Pasárgada em setembro, ocupando o lugar do inativo Inverness, unificando forças para mais aventuras e desventuras, nas mãos da Slokíssima Juliana Benedetti, da circunspecta Andresa Cortês, de Henderson, Ghenov, Wagner Arthur, Soutello, Bruna, Thiago e tantos outros sloborskaios que engrandeceram o movimento. Efaté viu o retorno do filho pródigo, Vítor de Bourg, o novo príncipe. E Icária tornou-se o lar de McMillan Hunt e José Luiz Borrás.
De inestimável valor, a união da Diarquia de Esparta como quinto cantão, outra manobra de verdadeiros próceres, negociada desde o fim de 2008 e concluída em março de 2009. A iniciativa conjugou os esforços tão carentes do mundico e granjeou a todos o convívio de pessoas de alto nível como Rodrigo Mariano, Henrique Falange, Kehsia Lorhana, o trabalhador Daniel Bocjzuk, Leonardo Gomes da AGESNO e outros.
Um autêntico risorgimento, inacreditável, que ativou todas as instituições e cantões, animando a vida partidária, cultural e social da Comunidade Livre de Pasárgada. Pôs fim à “idade das trevas” pós-figueirista e transformou uma micronação antes em suspenso numa potência de 60 cidadãos integralmente ativos, feito atingido por apenas meia-dúzia (ou menos) de projetos em tantos anos de micronacionalismo internauta. A virada do ano prenunciou uma era dourada, em 2009, que não deixaria nada a dever aos melhores tempos do micronacionalismo pasárgado.
Se Pasárgada foi a primeira a ativar-se, o virtuosismo alcançaria o Império de Reunião. O retorno de Cláudio de Castro e outros reuniãos de valor acionaram um turbilhão de otimismo e produção inéditos. Em muito potencializado pelos investimentos maciços do milionário excêntrico, o Império beneficiou-se com propagandas na Superinteressante, Revista Tio Patinhas e Aventuras na História. Toneladas de novatos desembocaram em enxurrada às portas da maior monarquia do mundo micronacional. Webdesigners literalmente profissionais, numismática, passaportes encomendados de Holywood, compra generalizada de domínios e outras realizações surpreendentes alavancaram Reunião ao seu período máximo de esplendor e efervescência.
Enquanto isso, Pasárgada igualmente floresceu com base na estrutura reconstruída no ano anterior. O pluralismo político irrompeu com a cisão entre Coração Pasárgado (CorPas) e Aliança Federalista (AFP). O Parlamento voltou à carga com oradores engajados, atualmente liderado pelo experiente (e amiúde crítico) José Paulo Siqueira. Micronacionalistas de primeira qualidade aderiram e abraçaram o projeto pasárgado, como Bruno Crasnek e Elton Sanders; ou então regressaram renovados, como Henrique Rabelo, Ygor Lazaro, Bruno Lamenha, Daniel Caires e Thiago Arantes. Uma nova geração de talentos formou-se numa agitada e frondosa Pasárgada: Silvia Soares, Andreza Streitenberger, Michelle Fransan, João Azevedo etc. Até mesmo o Conselho de Togados, há anos encabeçado por Leonardo Fernandes, uma instituição cronicamente com deficiências, ganhou um segundo togado e muito em breve auferirá um terceiro. A Provedoria de Justiça foi efetivamente restaurada e a Universidade Comunitária (UniCM) reassumida com o fôlego das épocas áureas de Marisa Kazama.
Tudo isso legitimou Pasárgada a, novamente, dar as cartas ao micronacionalismo lusófono, quiçá mundial. A substituição do (eterno) Chanceler Igor Ravasco por André Cyranka, em maio, foi o divisor de águas. Significou a transição de uma diplomacia ravasquiana, em que a cautela é a tônica, para uma diplomacia por assim dizer mais maquiavélica — precisamente por isso mesmo adequada aos tempos do Renascimento. Maquiavel foi um grande defensor das liberdades do povo, como mostra a leitura mais detida de suas obras luminares. Da mesma forma, contra a moral da inatividade, na defesa do micronacionalismo progressista e empolgante, Cyranka iniciou um avanço em múltiplas frentes. As ações que Pasárgada vem concertando-se com Reunião são expressões audaciosas dessa situação histórica em que ambas puseram-se na altura de seus méritos. As duas potências reuniram, não sem esforços árduos e obsessivos, as condições para definir a Nova Ordem da Lusofonia, como bloco que serve de ponta-de-lança deste setor em todos os âmbitos do movimento micronacional planetário. E é isto que elas vêm conduzindo com grande sabedoria, por sinal.
No segundo semestre de 2009, o micronacionalismo contém desafios e tensões constantes para todos os homens engajados no desenvolvimento e na atividade, superando antigas concepções que viam na política micronacional um espaço de estabilidade ou ideais abstratos. Estas, não passam de ranço de quem perdeu o trem da história e quer pautar um drama de que não mais participa como protagonista, viúvas de um passado que não volta mais. Oxalá!
A época pede uma política ousada que opere com as situações concretas. As histórias contemporâneas das micronações eminentes — Pasárgada e Reunião, neste longínquo setor — poderiam causar uma sensação difusa de instabilidade e imoralidade. Isso é normal na história do homem em momentos como este… é como se tudo estivesse dentro de um caldeirão de onde qualquer coisa poderia emergir. E assim é. E aí reside a beleza de nosso tempo. Um estado de espírito com elementos revolucionários, em que a AÇÃO constitui-se prioridade e realidade.


