Arquivo de palavras | "Lusofonia"

Tags: , , ,

O tempo mítico e a visionária Comunidade Pasárgada


PAS CMWTH

PAS CMWTH

Na terça-feira passada, dia 18, cinco estadistas deram sonoras pancadas na modorra do movimento micronacional, com a Comunidade Pasárgada de Nações (CPN) – Pasargadan Commonwealth.

Existem micronacionalistas que vivem em um tempo meramente histórico. A atividade, para eles, não passa de uma sucessão de momentos mais ou menos isolados, conectados por uma vazia linearidade temporal. Assim, vivenciam a existência da micronação e deles mesmos como uma fotografia — um instantâneo capturado do fluxo de mensagens e números. Claro, com essa forma de vivenciar, eles são tomados amiúde por uma ansiedade beirando o pânico, quando, de repente, zás, se aplaca na micronação a falta de mensagens e de números.

Klee - Angel

Paul Klee - "Angel"

A memória circunscreve-se à percepção de um momento ativo ou inativo. Lutam, portanto, contra um vento cósmico que lhes cruza o micronacionalismo, varrendo-os continuamente da história. Como uma invasão de tártaros destroçando com as suas hordas a civilização frágil do tempo. O anjo de Klee aterrorizado diante das ruínas do passado acumulando-se até o céu, enquanto um furacão o repele violentamente, de costas, para o futuro.

No oposto do tempo linear e superficial, subsiste o tempo mítico do micronacional. Somente a experiência e o desprendimento por viver do outro lado do hábito produzem as condições para a atividade e força profundas que, com virtude, movem o mundico. Ao galgar a compreensão mítica, acontecimentos fotográficos minimizam em relevância, os fatos efêmeros esfumaçam-se e a suave tranqüilidade acomete o micronacionalista diante de crises, desistências e inatividades. Uma micronação por assim dizer construída em seus mitos é dotada de uma espinha inquebrantável, imunizada à ossada diante dessas mazelas passageiras e históricas.

O engenheiro de micronações é sobretudo um fomentador de mitos — no sentido metafísico e não epistemológico. O criador de mitos no seu sentido absoluto é o profeta. O criador de mitos na metáfora dos fatos é o poeta. Em segunda ordem, os bardos, os rapsodistas, os humoristas. Quem anuncia os mitos que precisamos, enfim, são os visionários.

É um erro postular etapas históricas. Toda a história da Lusofonia e do movimento existem paralelamente e no mesmo instante. Qual? Este, agora. Neste sentido, o lançamento do chandon no e-groups, o cisma da velha PC, o Prêmio Aruaque, a Virada Pasárgada, a Comunidade Lusófona, as 200 edições do Tribuna Popular, os 600 novatos de Reunião, todos os multitudinários eventos dos 13 anos de micronacionalismo lusófono na Internet, tudo isso coincide ao mesmo tempo com o que vivemos. É de uma vertigem melancólica, e depois a calma para agir com a serenidade de quem viveu e compreendeu o motor do micronacionalismo.

Paul Klee - Visionary

Paul Klee - "Visionary"

Esse tempo mítico, alcançado pelos que desvelam a verdade oculta (e esquecida) do micronacionalismo, tornando-se visionários, foi apreendido e desenvolvido pelos que se recusam a apoiar-se na circunstância, a vender argumentos rasos, a fiar-se no abstrato de valores importados, a fechar-se em seu eu-querido vaidoso para quem toda a história pós-si-mesmo resume-se a uma meta-narrativa da decadência da antiga civilização. O que não significa que os visionários optem por ser anacrônicos. De fato, é o próprio tempo micronacional que mostra o seu avesso, e por onde transitam aqueles que não sucumbem à linearidade vazia da história.

Chove e troveja e as micronações, como bambuzais, se contorcem ante as lufadas inclementes do futuro. É desse outro tempo, à margem da superfície da atividade quotidiana, onde se escreve a obra da “Commonwealth“, de PAS e RE, de um “micronacionalismo lato sensu”, enfim, de uma vivência total do nosso brilhante pequeno formidável mundo.

Publicado em EditorialMensagens (0)

Tags: , , , , ,

Entrevista com Rodrigo Mariano


Rodrigo Mariano, diarca de Esparta, estadista diretamente envolvido na fundação da Comunidade Pasárgada de Nações, veterano da Lusofonia, vem demonstrando uma maturidade ímpar graças a um crescente aprendizado na arte micronacional, qualificando-se como um dos mais comedidos e sábios líderes de todos os tempos deste setor lingüístico. Brinda-nos com uma entrevista sobre suas percepções acerca da política interna e externa de PAS e também comenta o burburinho ao redor de sua possível candidatura a Chanceler, daqui a dois meses.

TRIBUNA POPULAR: Rodrigo, é um prazer entrevistá-lo pela primeira vez pelo jornal. Mariano, conte aos leitores um pouco sobre a experiência de Esparta, que completou o seu primeiro aniversário este mês.

RODRIGO MARIANO: Esparta foi fundada há um ano, como resultado prático de um projeto mais antigo. Comecei a colocar as idéias no papel quando ainda era cidadão do Sacro Império de Reunião. Por lá, fui Vice-Rei de Mauritius por 4 anos.Em dado momento, a força do nacionalismo mauritano era muito grande e a relação com o império se deteriorou. Parte dos mauritanos foram expulsos ou se afastaram depois de pesadas acusações de traição. Esparta já estava plenamente concebida e deixei o império para fundar a polis.

De lá para cá, construímos Esparta como sempre achei que deveria ser: Nada foi outorgado por mim ou por qualquer outra pessoa. À medida que iam aparecendo as demandas, nasciam os poderes, costumes e leis. Cada detalhe era decidido através de voto direto de todos os envolvidos. Assim, Esparta passou por sua fase tribal e evoluiu até o que somos hoje: uma nação consciente do seu lugar relevante no cenário micronacional.

TRIBUNA POPULAR: O que significa o “casamento” entre o projeto pasárgado e o projeto esparciata de micronacionalismo? E qual a contribuição de Esparta ao movimento micronacional?

RODRIGO MARIANO: Durante a fase final de concepção do projeto Esparta, eu estava em Pasárgada. Precisava ver de perto como funcionava uma verdadeira democracia micronacional, e não havia melhor campo de estudos que a Comunidade Livre. Quando começaram as negociações entre Esparta e Pasárgada, vi a fusão dos projetos como parte de um caminho natural a ser seguido pela polis em sua evolução.

Os que tentaram me dissuadir da assinatura do Pacto de Atena definitivamente não enxergavam – talvez ainda não consigam enxergar – o que é Pasárgada de fato. Em Esparta, costumo dizer que a palavra “anexação” não serve para definir a entrada da polis na Comunidade Livre.

Tradicionalmente, anexações significam a perda de qualquer controle por parte da nação sobre seus bens, sua cultura, suas leis, seus direitos. Anexações micronacionais se resumem à soma de mais um território e à entrada de diversos novos cidadãos de uma só vez, aumentando a mão de obra no Estado que “engole” o outro.

Esparta não foi anexada. Esparta continua com a propriedade de suas listas e sites, nossas especificidades culturais não só são respeitadas, como também incentivadas. A experiência política e social dos esparciatas aumentou em quantidade e qualidade. Em alguns dias, com a aprovação do Ato de Instituição da Comunidade Pasárgada das Nações, Esparta voltará ao cenário da política externa e das relações diplomáticas.

TRIBUNA POPULAR: Na semana passada, foi anunciado por cinco estadistas da Lusofonia, entre eles você, o lançamento da Comunidade Pasárgada de Nações. Por que você aderiu à iniciativa e o que ela representa?

RODRIGO MARIANO: Embora Pasárgada tenha nascido depois de outras micronações, chega à maturidade antes das demais. A CPN é o reflexo dessa maturidade. A iniciativa inaugura oficialmente um tempo de nacionalidades livres reunidas sob a regulação de um Estado. Um tempo de micronacionalistas que optam por lidar de forma ativa com a realidade trazida pelo pós-modernismo, enquanto a lusofonia segue ignorando os novos paradigmas de propriedade na era das trocas digitais, de pertencimento na era de um mundo conectado. Pasárgada escolhe deixar para trás o lugar daqueles que sofrem os efeitos das mudanças. Pasárgada dá um passo à frente e age ativamente ao invés de se acomodar em apenas reagir.

Para Esparta, as mudanças trazidas pela CPN são um marco histórico. Retornamos ao cenário internacional, atuando diretamente nos rumos da lusofonia, fazendo ouvir a nossa voz e levando a experiência micronacional espartana para além das fronteiras pasárgadas.

TRIBUNA POPULAR: Existem críticas de alguns pasárgados, amplificadas por um jornal estrangeiro, o Lusophonia, de que a nova “Commonwealth” é expressão do imperalismo pasárgado. A acusação é similar ao que ocorreu no passado, com a Comunidade Lusófona, que associou Pasárgada, Mallorca e Avalon. Você, como líder de nação que participa dela, não se sente atingido, como se as nações tivessem “sucumbido” a uma força invasora?

RODRIGO MARIANO: Não me sinto atingido. Ainda não encontrei nenhum argumento que me convencesse de que estamos construindo um “imperialismo pasárgado”. Até o momento, todas as ações e adesões da CPN foram legais e visavam apenas o estabelecimento de um micronacionalismo ativo, maturo e sem medo do futuro. Estou, no entanto, aberto ao diálogo. Se for do interesse de alguém me convencer de que a iniciativa é danosa ao micronacionalismo pasárgado, estou à disposição. Todas as minhas manifestações públicas a favor da nova Comonwealth pasárgada foram para tentar esclarecer a questão para os que não a entendem e, justamente por isso, se opõem a ela.

TRIBUNA POPULAR: O assunto mais polêmico da política externa pasárgada é sem dúvida a nova Porto Claro, seja a face de influência modelista-reuniã, Porto Claro Ocidental, seja o projeto realista-pasárgado, Porto Claro Oriental. Cá entre nós, o que materialmente, em termos efetivos, podem fazer os que se opõem, como, notoriamente, você?

RODRIGO MARIANO: Todo pasárgado que se opõe a seja lá o que for pode e deve lutar. Como cada um exerce sua cidadania é uma escolha pessoal. Não faço parte de nenhum grupo organizado com o objetivo de impedir o envolvimento direto de Pasárgada com o que acredito ser a apropriação criminosa da cultura e história de outra nação, mas a formação de tais grupos é uma das várias possíveis formas de lutar. Outra, mais óbvia em um Estado democrático, é a candidatura ao Parlamento ou à Chancelaria, uma vez que são esses os palcos centrais nessa questão e nas decisões que ditam os rumos de Pasárgada.

Há aqueles que ocupam um patamar não oficial, mas extremamente poderoso, de formadores de opinião. No micronacionalismo, esse poder – que, macronacionalmente, em âmbito nacional, costuma ser da imprensa – é de alguns líderes carismáticos nos quais as pessoas confiam e cujas opiniões são profundamente importantes. Esses só precisam abrir algumas janelas de MSN para que qualquer iniciativa, ética ou não, tenham mais ou menos chance de prosperar.

Fato é que, pessoalmente, quando algo me incomoda muito – e atos que passam por cima dos mais basais valores éticos são um exemplo disso –, não costumo pensar apenas nos resultados práticos, nos termos efetivos. A batalha por si só já é uma vitória apenas por ser lutada. Tenho certeza que o rei Leônidas de Esparta não pensou no que efetivamente a oposição de 300 homens poderia fazer contra um exército de milhares. Ele não deixou de lutar por causa disso.

TRIBUNA POPULAR: Qual a sua avaliação geral do Chanceler André Cyranka? Este jornal soube de algumas opiniões isoladas de que estaria se formando um grupo pró-Mariano para o próximo pleito a chefe de estado, que ocorrerá em fim de outubro.

Cyanka é um homem extremamente competente. Divergir de sua postura em relação à pseudo Porto Claro não me cega em relação ao trabalho que vem realizando na Chancelaria Comunitária.

Nesse momento, não é minha pretensão concorrer ao cargo de Chanceler ou a qualquer outro cago em âmbito comunitário. Sigo dedicando 100% do meu tempo para o Trono de Esparta. A existência de um grupo pró-Mariano para o pleito é ao mesmo tempo uma surpresa e uma satisfação. Fico lisonjeado por saber que há quem enxergue em mim o conjunto de virtudes necessárias para ocupar cargo tão relevante, mesmo estando em Pasárgada há tão pouco tempo.

TRIBUNA POPULAR: Agradeço o tempo despendido e a atenção, abrindo para comentários finais. Muito obrigado.

RODRIGO MARIANO: Agradeço a oportunidade de me fazer ouvir e levar um pouco de Esparta na minha fala para toda Pasárgada e onde mais o Tribuna chegar. Gostaria de colocar à disposição os meus contatos para que aqueles que desejarem conversar sobre a entrevista, ou sobre qualquer outro assunto, possam chegar diretamente até mim. Meu MSN é guinhomariano@hotmail.com e meu email pessoal é ro.mariano@gmail.com. Em uma nação de muitas nações, por um micronacionalismo ético e maturo, saudações espartanas a todos.

Realizada via e-mail em 22 de agosto de 2009.

Publicado em EntrevistasMensagens (0)

Tags: , , , ,

Entrevista com os líderes de PCO


A fim de afastar todo o tititi que vem circulando a respeito do surgimento de Porto Claro Ocidental, o Jornal Tribuna Popular traz a seus leitores informações de primeira mão, diretamente dos dois líderes desse energético projeto de revitalização micronacional.

Felipe Aron e Fernando Henrique Cardozo, dois micronacionalistas extraordinários, que no auge da carreira colocam-se no olho do furacão da Lusofonia, dando a cara à tapa. Não lhes poupamos perguntas no MSN.


TRIBUNA POPULAR: Boa tarde, Felipe e Ferdinand. Os leitores estão muito curiosos para saber qual o real objetivo da Porto Claro restaurada. Vocês, como premiê e presidente da micronação, o que, em poucas palavras, tem a dizer sobre esse novo projeto da Lusofonia?

FELIPE ARON: Porto Claro foi restaurada pela iniciativa das duas maiores potências da lusofonia, Pasárgada e Reunião, seja por vias oficiais ou pela iniciativa de líderes políticos com o intento de criar uma nova era no micronacionalismo lusófono, o que vem dando certo: Orange ressucitou, Marajó pensa em fazer o mesmo, Campos Bastos vem trabalhando em seu novo site. Não se trata de fragmentação, mas de projetos de qualidade para criarem uma nova ordem e encerrar o marasmo. O papel de PC nesta nova ordem está muito além de ser uma mera sombra de Reunião ou de Pasaárgada, mas sim de junto com estas duas, ser o motor da lusofonia, celeiro das novas gerações e de uma guinada para uma era de inovação tecnológica e de costumes sem precedentes.

FERNANDO HENRIQUE: Boa tarde. Pode-se dizer também que Porto Claro Ocidental seja a retomada de um ideal de micronacionalismo que se perdeu. Não se pode esquecer que Porto Claro, por ser a pioneira, sempre atuou como um Norte para as novas iniciativas de micronacionalismo que foram sendo construidas com o passar dos anos. Mas a medida que houve o declínio do modelismo portoclarense, a Lusofonia foi se contorcendo sobre si mesma, reinventando os modelos de sempre, e gradativamente se reduzindo. A restauração da Grande Porto Claro é um fenômeno cujo os efeitos ainda não foram sentidos totalmente, mas que os primeiros sinais – como bem disse o Felipe – já são visíveis: Orange e Campos Bastos retornaram, Marajó talvez também o faça. E há muito mais que podemos esperar nessa Nova Lusofonia.

TRIBUNA POPULAR: Quantos cidadãos ativos possui Porto Claro e como funciona o instituto da dupla-cidadania com súditos de Reunião. Qual a proporção de cidadãos unicamente portoclarenses e aqueles reunião-portoclarenses?

FERNANDO HENRIQUE: A dupla-cidadania é um recurso decorrente da própria natureza do país, uma vez que foram reuniãos que construíram o novo Estado portoclarense. Há duas regulamentações sobre isso: uma ordenação gloriosa em Reunião – que torna portoclarense todo cidadão reunião que assim o desejar – e o Ato do Reunianismo Civil em Porto Claro – tornando todo reunião que deseja residir em Porto Claro um cidadão portoclarense. Mas há aqueles que optam por serem portoclarenses apenas, o que chamamos vulgarmente de “cidadãos unos” e que no momento é a minoria da população (que beira os 12 registros de cidadãos ativos, salvo engano). É o meu caso, do premiê Felipe e do ministro-superintendente Bernstein. Nossa projeção, agora que temos um formulário de imigração próprio, somado a um trabalho de divulgação, equilibrar a população de cidadãos unos e duplos, sem qualquer prejuízo ao protetorado.

TRIBUNA POPULAR: Neste um mês e meio de existência, quais são as principais realizações que vocês têm a apresentar ao mundo micronacional?

FERNANDO HENRIQUE: De minha parte, já que estou na Presidência desde a restauração, eu destaco a retomada do diálogo com a anglofonia. Foi feito um comentário, não me lembro bem onde, dizendo que nosso projeto micropatriológico estava isolado e fadado ao fracasso. Sobre isso eu tenho que discordar, já que nossa diplomacia – habilmente conduzida pelo Poder Executivo não se restringe ao setor lusófono. Porto Claro retomou sua cadeira na LOSS – a qual havia deliberadamente abandonado – e hoje, inclusive, estamos entrando em contato com outras micronações de língua estrangeira – St. Charlie, Apiya e República Cisalpina só para citar – justamente para ampliar nosso potencial diplomático. Em língua portuguesa temos contatos com Reunião e Pasárgada, nossas principais aliadas, num futuro próximo com o Governo Virtual, Orange, Ortence, e agora estamos recebendo a visita do rei de França. Portanto, nem no setor lusófono há qualquer isolamento. Mas é importante frisar que o presidente apenas apoia a política externa do primeiro-ministro, auxiliando-o sempre que for necessário para favorecer o trabalho do Governo.

FELIPE ARON: No plano da política interna, pretendo implementar o sistema organizado e ao memo tempo prático que realizei no meu governo em Pasárgada. É uma tarefa árdua, mas o começo está funcionando, creio que o Governo de PCO é um dos mais organizados da lusofonia neste momento. A política externa deve ter uma posição clara. Existe uma seleção natural. Micronações empolgantes sobrevivem, cativam, criam laços firmes em seus cidadãos, formam novas gerações. Estas devem liderar a lusofonia. Projetos mobibundos devem abrir espaço para micronações vibrantes de verdade, grupo em que queremos nos enquadrar e é esta cara profissional e séria que queremos mostrar da lusofonia para as outras fonias dentro da LOSS.

TRIBUNA POPULAR: Como vocês dois, micronacionalistas de primeira linha, agora ascendendo a estadistas da Nova Lusofonia, como vocês, pessoalmente, se envolveram no projeto? Qual a motivação?

FERNANDO HENRIQUE: Bem, eu participei de várias micronações nos últimos nove anos. Em algumas com maior envolvimento e outras com menor, e o que posso dizer é que pouco antes de tomar conhecimento do processo de restauração, estava bastante desinteressado em continuar na Micronacionalidade por não encontrar uma micronação com que me identificasse. Mesmo em Reunião, onde me encontrava, não posso afirmar que me sentia plenamente incluso. Quando me foi apresentado o projeto, comecei a criar um novo ânimo. Percebi uma oportunidade para poder praticar aquilo que não encontrei em outros países, enriquecido com a experiência de minhas andanças (que incluem a velha Porto Claro) pela Lusofonia. E cá estou. Portoclarense!

FELIPE ARON: Eu me envolvi porque como cidadão pasárgado de muitos anos, me senti no dever de prestar este serviço à imagem que nós, de onde venho, temos de uma lusofonia forte e repleta de projetos sérios com verdadeira democracia emanando de novas e novas gerações.  Conclamo meus velhos compatriotas que ainda não conhecem bem PCO a conhecerem e verem pessoalmente a seriedade do projeto. Eu mesmo no início não compreendi bem a importância da restauração de Porto Claro, mas agora tenho muito claro que este projeto que já transitava há meses nos bastidores entre Pasárgada e Reunião (com amplo conhecimento de muita gente) é importantíssimo para a sobrevivência da lusofonia como parte relevante do micronacionalismo mundial.

TRIBUNA POPULAR: E Porto Claro Oriental, o que vocês têm a dizer sobre o lado pasárgado desse projeto revolucionário?

FELIPE ARON: Um site está sendo montado. Sabemos que haverá uma grande cooperação entre as duas PC’s, com o provável surgimento de uma Comunidade Pan-Portoclarense. Será bom se inicialmente a dupla cidadania com Pasárgada for permitida, o que de forma alguma destrói a soberania, apenas ajuda a direcionar bem a organização interna. É provável que seja um parlamentarismo clássico entusiasta de plataformas como o NING e novas tecnologias. Estou bastante ansioso para ver surgir esta filha de Pasárgada com o pioneirismo portoclarense.

FERNANDO HENRIQUE: Algo que me chamou a atenção, certo dia, foi uma expressão que me foi dita: Micronacionalismo Esclarecido. Acredito que o projeto de Porto Claro Oriental é a mais nova encarnação desse ideal. Um país nascido a partir de uma enorme experiência micropatriológica acumulada, feito com bases sólidas, sem improvisos, com plena consciência de sua natureza e propósitos. Aguardo com grande espectativa…
a fundação do Estado leste-portoclarense.

TRIBUNA POPULAR: Primeiro foi a ativação de Pasárgada, depois a explosão de atividade e investimentos de Reunião, agora a nova Porto Claro. A que se deve esse verdadeiro Renascimento da Lusofonia, protagonizado pelas três maiores micronações lusófonas da atualidade?

FERNANDO HENRIQUE: Necessidade de resgatar o verdadeiro propósito do Micronacionalismo: construir nações-modelo que possibilitem o aprimoramento da prática civil e do relacionamento social. Os ultimos anos tem demonstrado serem tempos onde a tábula rasa basta, com a ausência de historicidade nas instituições, o improviso na condução dos negócios públicos. Não digo que tais projetos não sejam micronações, mas são…
modalidades sem a perspectiva de futuro. Vai do jeito que der. Para a Velha Lusofonia isto basta. Mas para a Nova Lusofonia este modelo ja não faz mais sentido, como disse o Felipe, a seleção natural irá segregar os projetos mais estruturados daqueles que não são.

FELIPE ARON: A iniciativa de alguns micronacionalistas que gostam do micronacionalismo a ponto de investirem tempo e dinheiro em prol da verdadeira atividade, ou seja, da atração de gente nova. Foi o que eu e Cyranka fizemos em Pasárgada. Não vou usar falsa modéstia, pelo respeito que tenho comigo mesmo não preciso esconder meu mérito: eu e Cyranka trouxemos tanto velhos cidadãos como quase todos do atual Governo, refizemos a CorPas, refizemos a AFP e integramos dezenas e dezenas de novatos. Em Reunião, o Claudio investiu milhares de reais em publicidade macro, que é boa para TODO o micronacionalismo porque divulga o hobby como um todo. E agora queremos unir as duas fórmulas em PC.

TRIBUNA POPULAR:   O que se vê hoje é alguns micronacionalistas, especialmente das antigas, reclamando e desprezando o que de mais forte e ativo tem-se no mundo micronacional lusófono. Por outro lado, eles não inovam, nem produzem, limitando-se a dizer que é tudo sempre igual e que, no final, eles são o que de melhor a Lusofonia já produziu. Qual a opinião de vocês sobre tanto recalque perante a nova Porto Claro?

FERNANDO HENRIQUE: O novo sempre vence o arcaico. Aqueles que se apegam a uma situação e se beneficiam dela, é claro que não aceitam a confirmação de que seu modelo falhou e sua legitimidade é questionável. Carlos de Médici-et-Clubin bem acerta ao dizer que toda micronação passa por fases, e este recalque é uma amostra de que o estágio em que se encontram é de declínio. O seu tempo passou. A Nova Lusofonia e os seus agentes representa um fenômeno não ideologico de inovação mas algo estritamente concreto e objetivo. As ações dispensam qualquer discurso, e estas silenciam os ataques verbais e atitudes que desesperadas que os críticos tomam.

FELIPE ARON: Essa gente aí que se dane. Só sabemreclamar mesmo. Não agimos em função deles, não existimos por causa deles. É até o contrário. Eles é que existem porque nós, ativos e produtivos, existimos. Daí o cara tem assunto para falar no jornal dele, ou seja: nós. Eles dizem que tudo é sempre a mesma coisa porque de tanto repetirem o mesmo micronacionalismo enjoativo e cíclico, acabam vendo seus vícios em todo mundo. Por isso mesmo que Bernardo de Alvarenga, em sua despedida disse que “um veterano do hobby como eu já viu tudo o que tinha que ser visto e nenhuma novidade é vindoura” . Esse tipo de veterano que se torna arrogante e cheio de vícios não consegue ver novidade nos mais novos. Acham que sempre vai ser tudo a mesma coisa e acabam sendo nocivos por onde passam. Quando gente como esse cara reinavam em Pasárgada, a nação quase foi pro buraco. Agora nós vemos que tantas micronações definharam e seus cidadãos inativaram porque eles não sabiam apresentar novidades, vivam de espezinhar, reclamar. Mas que se foda. A vida é assim: existem os acomodados e os ambiciosos e ainda bem, fazemos  parte do segundo grupo.

TRIBUNA POPULAR: Existe ainda a acusação de Porto Claro Ocidental não é soberano, de que não se trata de uma micronação independente, mas um apêndice de Reunião. O que motiva esse ataque e como vocês respondem a ele?

FERNANDO HENRIQUE: A motivação é simplesmente a natureza de Porto Claro Ocidental enquanto protetorado. O fato é que os críticos não se preocupam em observar que uma soberania se realiza no dia a dia. Em primeiro lugar há uma Constituição feita pelo nosso governo que assegura os interesses da população local, impede que o Estado reunião e qualquer outro Estado estrangeiro interfira ou ameace nossa independência. Em segundo lugar nossa sociedade se identifica com o seu país, e deseja vê-lo autônomo para satisfazer os seus interesses e adequadamente representá-lo. Reunião nos apoia completamente, e é este o seu papel enquanto Estado protetor: assegurar que Porto Claro Ocidental permaneça independente e tenha condições de se auto-governar, em todos os sentidos.

FELIPE ARON: É uma micronação soberana. Recebemos ajuda de Reunião e isso nos torna fortes aliados, mas somos independentes. Se você analisar a questão por esse ponto de vista político, então não poderia considerar como Estados soberanos todos aqueles que no pós-guerra receberam ajuda dos EUA e nem os países do bloco soviético. Nós temos chancelaria, consideramos Reunião um aliado, temos grande admiração por Pasárgada e quem diz que não somos independentes é porque nem nos conhece ou  o faz de propósito por birra, talvez por ter ficado de fora dos bastidores da criação do projeto, por recalque.

TRIBUNA POPULAR: Agradeço a gentileza de vir ao Jornal Tribuna Popular para esclarecer pontos que julgo fundamentais a respeito da nova ordem do micronacionalismo lusófono, de que Porto Claro Ocidental é peça fundamental. Abro para os comentários finais.

FELIPE ARON: Aproveito para reforçar meu convite para Jean Liberato, Rafael Marques e outros cidadãos de RPC para romperem com a oligarquia e participarem da Porto Claro restaurada. Serão muito bem vindos.

FERNANDO HENRIQUE: Desejo agradecer a oportunidade dada pelo jornal Tribuna Popular e a gentileza de sua Editoria em nos receber para tratarmos sobre nosso país. Uma imprensa livre e profissional é um dos meios menos empregados na construção da Nova Lusofonia, e o TP, com seu histórico de competência e qualidade jornalística, é o instrumento mais adequado para a divulgação de um projeto como as Novas Porto Claro.

Realizada por MSN em 26 de Julho de 2009, sem conceder chance para retificações a posteriori. Publicada na íntegra.

Publicado em EntrevistasMensagens (0)

Tags: , , , ,

O Renascimento Pasárgado-Reunião


O micronacionalista que chegar à Lusofonia agora não acreditaria que, há apenas um ano, vivíamos nas sombras e ruínas. Muito diferente daquela época trevosa, atualmente conta-se mais de cem micronacionalistas lusófonos em atividade; distribuídos em instituições, culturas e infraestruturas, que se reestruturam a olhos vistos. Duas micronações se podem claramente identificar como potências, em matéria de desenvolvimento e população: Pasárgada e Reunião.

As duas, juntas, respondem por três quartos (3/4) da Lusofonia.

O segundo semestre de 2008 teve em Pasárgada o começo de um movimento entusiasmado que iria, meses depois, contaminar Reunião e o restante de nosso setor. Os governos de Felipe Aron, de junho de 2008 a abril de 2009, produziram um enorme salto quantitativo, em razão de um trabalho sistemático e industrioso de mobilização da Comunidade Livre — cuja massa latente é a segunda da Lusofonia.

O segredo do sucesso deveu-se à campanha missionária do Ministério de Estado, comandado por André Cyranka, aliado a um zelo extraordinário pela infraestrutura (Renan Halphen) e pela alimentação de um sistema político maduro e funcional (contribuições dos socioculturalistas Filipe Sales e Carlos Goes). A partir da Coração Pasárgado, a Casa mais tradicional e vibrante da Comunidade, um núcleo de pasargadistas reconstruiu dos escombros uma micronação novamente preparada para enfrentar a crise permanente do micronacionalismo.

Outra chave do sucesso foi a ativação integral do emblemático sistema pasárgado de democracia, que extrai da dupla dimensão das Casas e dos Cantões a sua singularidade e beleza.

Em 2008, o Cantão de Cenit renasceu num movimento vigoroso intitulado “Revolução Aristocrática“, cuja maior marca é a célebre “Semana Cenitense“, com participações decisivas de enxadrista Rafael Cruz, do poeta peruano Mauricio Villacrez, do Bardo de Pasárgada Fábio Racoski, de Miguel Sobrinho e do incansável Anderson Paiva.

A República Socialista de Sloborskaia, em manobra de estadista, reincorporou-se ao seio de Pasárgada em setembro, ocupando o lugar do inativo Inverness, unificando forças para mais aventuras e desventuras,  nas mãos da Slokíssima Juliana Benedetti, da circunspecta Andresa Cortês, de Henderson, Ghenov, Wagner Arthur, Soutello, Bruna, Thiago e tantos outros sloborskaios que engrandeceram o movimento. Efaté viu o retorno do filho pródigo, Vítor de Bourg, o novo príncipe. E Icária tornou-se o lar de McMillan Hunt e José Luiz Borrás.

De inestimável valor, a união da Diarquia de Esparta como quinto cantão, outra manobra de verdadeiros próceres, negociada desde o fim de 2008 e concluída em março de 2009. A iniciativa conjugou os esforços tão carentes do mundico e granjeou a todos o convívio de pessoas de alto nível como Rodrigo Mariano, Henrique Falange, Kehsia Lorhana, o trabalhador Daniel Bocjzuk, Leonardo Gomes da AGESNO e outros.

Um autêntico risorgimento, inacreditável, que ativou todas as instituições e cantões, animando a vida partidária, cultural e social da Comunidade Livre de Pasárgada. Pôs fim à “idade das trevas” pós-figueirista e transformou uma micronação antes em suspenso numa potência de 60 cidadãos integralmente ativos, feito atingido por apenas meia-dúzia (ou menos) de projetos em tantos anos de micronacionalismo internauta. A virada do ano prenunciou uma era dourada, em 2009, que não deixaria nada a dever aos melhores tempos do micronacionalismo pasárgado.

Se Pasárgada foi a primeira a ativar-se, o virtuosismo alcançaria o Império de Reunião. O retorno de Cláudio de Castro e outros reuniãos de valor acionaram um turbilhão de otimismo e produção inéditos. Em muito potencializado pelos investimentos maciços do milionário excêntrico, o Império beneficiou-se com propagandas na Superinteressante, Revista Tio Patinhas e Aventuras na História. Toneladas de novatos desembocaram em enxurrada às portas da maior monarquia do mundo micronacional. Webdesigners literalmente profissionais, numismática, passaportes encomendados de Holywood, compra generalizada de domínios e outras realizações surpreendentes alavancaram Reunião ao seu período máximo de esplendor e efervescência.

Enquanto isso, Pasárgada igualmente floresceu com base na estrutura reconstruída no ano anterior. O pluralismo político irrompeu com a cisão entre Coração Pasárgado (CorPas) e Aliança Federalista (AFP). O Parlamento voltou à carga com oradores engajados, atualmente liderado pelo experiente (e amiúde crítico) José Paulo Siqueira. Micronacionalistas de primeira qualidade aderiram e abraçaram o projeto pasárgado, como Bruno Crasnek e Elton Sanders; ou então regressaram renovados, como Henrique Rabelo, Ygor Lazaro, Bruno Lamenha, Daniel Caires e Thiago Arantes. Uma nova geração de talentos formou-se numa agitada e frondosa Pasárgada: Silvia Soares, Andreza Streitenberger, Michelle Fransan, João Azevedo etc. Até mesmo o Conselho de Togados, há anos encabeçado por Leonardo Fernandes, uma instituição cronicamente com deficiências, ganhou um segundo togado e muito em breve auferirá um terceiro. A Provedoria de Justiça foi efetivamente restaurada e a Universidade Comunitária (UniCM) reassumida com o fôlego das épocas áureas de Marisa Kazama.

Tudo isso legitimou Pasárgada a, novamente, dar as cartas ao micronacionalismo lusófono, quiçá mundial. A substituição do (eterno) Chanceler Igor Ravasco por André Cyranka, em maio, foi o divisor de águas. Significou a transição de uma diplomacia ravasquiana, em que a cautela é a tônica, para uma diplomacia por assim dizer mais maquiavélica — precisamente por isso mesmo adequada aos tempos do Renascimento. Maquiavel foi um grande defensor das liberdades do povo, como mostra a leitura mais detida de suas obras luminares. Da mesma forma, contra a moral da inatividade, na defesa do micronacionalismo progressista e empolgante, Cyranka iniciou um avanço em múltiplas frentes. As ações que Pasárgada vem concertando-se com Reunião são expressões audaciosas dessa situação histórica em que ambas puseram-se na altura de seus méritos. As duas potências reuniram, não sem esforços árduos e obsessivos, as condições para definir a Nova Ordem da Lusofonia, como bloco que serve de ponta-de-lança deste setor em todos os âmbitos do movimento micronacional planetário. E é isto que elas vêm conduzindo com grande sabedoria, por sinal.

No segundo semestre de 2009, o micronacionalismo contém desafios e tensões constantes para todos os homens engajados no desenvolvimento e na atividade, superando antigas concepções que viam na política micronacional um espaço de estabilidade ou ideais abstratos. Estas, não passam de ranço de quem perdeu o trem da história e quer pautar um drama de que não mais participa como protagonista, viúvas de um passado que não volta mais. Oxalá!

A época pede uma política ousada que opere com as situações concretas. As histórias contemporâneas das micronações eminentes — Pasárgada e Reunião, neste longínquo setor — poderiam causar uma sensação difusa de instabilidade e imoralidade. Isso é normal na história do homem em momentos como este… é como se tudo estivesse dentro de um caldeirão de onde qualquer coisa poderia emergir. E assim é. E aí reside a beleza de nosso tempo. Um estado de espírito com elementos revolucionários, em que a AÇÃO constitui-se prioridade e realidade.

Publicado em EditorialMensagens (1)

Palavras mais procuradas

afp anglofonia artesparta atlantium austrália cantões chancelaria clip cmp comunidade pasárgada corpas cpn cultura efaté esparta felipe aron fernando henrique cardozo hispanofonia hutt river Lusofonia mcmillan hunt microwiki mneu Molossia nova ordem oml orgulho micro parlamento pascinema Pasárgada pco porto claro realismo pasárgado renascimento reunião rodrigo mariano sdp socioculturalismo st.charlie talossa tia unicm virada pasárgada wikipas yuri ghenov