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SDP: o futuro de Pasárgada?


200px-PasturnA Virada Pasárgada foi uma ruptura paradigmática realizada pela Comunidade Livre de Pasárgada, de agosto de 2001 em diante, no modelo tradicional do setor lusófono. Esse movimento de vanguarda aconteceu em múltiplos campos simultaneamente: micropatriologia, política, diplomacia, construção de sites, valores estéticos e na ética individual.

O começo do século XXI é descrito no micronacionalismo como um momento excepcionalmente fértil e convulsivo. A proliferação de diferentes e inovadoras propostas impactou as escolas românticas de velhos caciques. Muitos micronacionalistas desse tempo de ebulição compartilharam uma atitude de confrontamento com os cânones e, ao mesmo tempo, cada qual buscava viabilizar-se como a nova norma para o século.

O anseio por renovação finalmente abraçou um novo e tenaz projeto, a Comunidade Livre de Pasárgada que, fundada por oito veteranos de Reunião em poucos meses tornou-se o Bicho-Papão da Lusofonia — e além, reunindo 30, 40 e até 50 cidadãos ativos com dois anos de vida. A subversão revolucionou profundamente as visões micronacionais deste setor: sem factóides, sem referências macroterritoriais, sem personagens fictícios, nenhuma atitude de escapismo, de desengajamento existencial. A micronação doravante considerada a vida real às últimas conseqüências: um ambiente concreto de interação humana, parte indissociável da biografia de cada micronacionalista e orientado venturosamente a novas formas de soberania global, contracultura digital e expressão livre dos desejos sociais.

Foi o nascimento do realismo radical. Só é possível compreender plenamente o significado monumental da Virada Pasárgada se compararmos as micronações antes e depois de sua aparição avassaladora.

A Casa Coração Pasárgado (CorPas), surgida no limiar dessa época de convulsões, incorporou gradualmente os valores do realismo como valores magnos pasárgados, tornando-se a maior vitrine para a sua expansão ideológica e política. Durante muitos anos, nenhuma Casa estruturou-se em termos de plataforma político-ideológica como a CorPas. A Casa Mundo Pasárgado (CMP), a sua maior rival durante dois anos, desempenhou mais a função de contenção dos arroubos da CorPas do que, propriamente, um ideário alternativo de igual dimensão. Sua lógica era na verdade dialética, uma anti-CorPas, e não de afirmação do diferente.

As outras duas Casas de destaque histórico, Aliança Federalista (AFP) e Livre de Pasárgada (CLiP), foram fundamentais para alimentar a atividade nacional e manter viva a chama pasárgada. Porém, nenhuma das duas chegou próximo de formular uma proposta global para o micronacionalismo, ficando aquém inclusive da CMP no campo ideológico. Embora as demais tenham sido inegavelmente indispensáveis para a micronação, somente a CorPas constituiu-se como força histórica de expressão clara e sistemática da cultura pasárgada e lusófona.

Com o esfacelamento da AFP, no primeiro semestre de 2009, em virtude de disputas intestinas e da ausência de cimento ideológico, a CorPas novamente desempenhou a sua vocação ao assumir o volante da Comunidade. O Governo CorPas de José Luiz Borrás, secundado por um time dos sonhos de micronacionalistas, foi a resposta sonora da maior agremiação da micronação ao vazio político legado pela agonia da AFP.

É neste cenário que sete micronacionalistas pasárgados inauguram a décima Casa da Comunidade Livre de Pasárgada, terceira em atividade (além da CorPas e das “sobras” da AFP). Batizada Social Democracia Pasárgada (SDP), a Casa é liderada pelo ex-AFP Renan Halphen, arauto emblemático da Escola Pasárgada de Micronacionalismo. Mas conta também com a experiência comprovada e presença de espírito do atual Chanceler André Cyranka, do co-fundador e veterano Vítor de Bourg, da ecumênica slokíssima Juliana Benedetti e do Bardo Comunitário Fábio Racoski (editor do DOC).

Lançando página em Wordpress de dar inveja a qualquer micronação, a SDP teve um início comparável ao lançamento da CorPas em agosto de 2001. Em seu manifesto, a Casa diagnostica que o mundo micronacional encontra-se estagnado na década de 90. Que as micronações não souberam absorver a web 2.0. Que tampouco demonstram consciência de sua vitalidade e singularidade como experiência da vida de cada um e da vida coletiva do movimento, articulado que é ao micronacionalismo global.

Com efeito, a SDP pretende-se uma Casa sintonizada às novas gerações de internautas que, exatamente, constituem as novas safras de micronacionalistas. Com pertinência, aponta que sempre os mesmos dinossauros continuam pontuando a prática micronacional, com o mais do mesmo em termos de modelos e paradigmas, engessados do passado. E isto está matando o mundico.

De fato, a Lusofonia constituiu-se ao redor do modelismo de Reunião e Porto Claro e depois contou com a ruptura vibrante de Pasárgada, a tríade de projetos basilares que definem o nosso setor. Todavia, de 2001 para cá, a história do micronacionalismo lusófono tem sido a consolidação do modelo pasárgado em convívio estreito com elementos modelistas mais antigos, bastante arraigados em todos os cantos. Não houve inovações significativas, hoje tão necessárias para articular os desejos micronacionais com os desejos da sociedade contemporânea sempre em mutação.

Mais do que mera oposição partidária, a Social Democracia Pasárgada surge como movimento coerente de idéias e ações. Desde o princípio, apresenta-se claramente com um manifesto contextualizado às necessidades históricas do micronacionalismo. Pasárgada, como liderança histórica do mundico, só tem a ganhar com o frescor e o enriquecimento políticos trazidos por essa audaciosa agremiação.

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